Sabe a sensação de desejar aproveitar cada instante do tempo presente e, entretanto, almejar algum tempo futuro. Eu, por exemplo, só vou ter 16 anos, minha idade atual, uma vez apenas em toda a minha passagem por esta terra. Só vou ser adolescente, só vou ter a idade que tenho, só vou estar em uma escola de ensino médio, por ruim que ela seja, uma vez em toda a minha vida. Isso me faz querer aproveitar cada instante do tempo presente. Entretanto, essa é uma das fases da vida que eu estou mais limitado, e talvez eu nem tenha tanta noção e profundidade da minha própria limitação, até por conta da minha idade. E é limitante saber que tu és tão limitado. Eu gostaria, neste exato momento, de estar a escrever sobre filosofia agorista, dando minha própria contribuição a esta corrente de pensamento, que eu aprecio tanto. Mas eu não estou na fase de escrever minhas próprias ideias. Eu estou na fase de construí-las, amadurecê-las, mudar todo o meu conjunto de crenças, se necessário. E isso é até um pouco paradoxal, porque eu gostaria de estar experienciando o tempo futuro, enquanto eu gosto de experienciar o momento presente e sei que sentirei falta dele. Mas para que o momento futuro seja como eu espero que ele seja no momento presente, eu terei que construir as bases necessárias para que ele ocorra da forma esperada.
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