Escrevi cinco poemas em dezoito meses. Não os pensei como série. Quando os ordenei por data
descobri que seguiam a mesma ordem em que Nietzsche publicou os seus livros, e ainda não sei
explicá-lo.
Novembro de 2024: prazer dionisíaco, realidade apolínea. É o seu primeiro livro, de 1872, onde
diz que a arte nasce da luta entre a forma e a embriaguez, e que é preciso perder o controlo
para que valha a pena ter figura.
Março de 2025: humano, excessivamente humano. É o título de 1878, onde deixa de perguntar se
algo é verdade e começa a perguntar de onde vem. Que aquilo a que chamamos moral costuma ter uma origem bem menos nobre do que lhe atribuímos. O meu poema acaba a aprovar a nova ordem
social com uma salva de palmas. É a mesma suspeita.
Outubro de 2025: dois poemas no mesmo dia sobre o eterno retorno. Essa ideia é de 1882 e não é uma teoria do universo, embora quase sempre a contem assim. É uma pergunta: se tivesses de
viver esta vida outra vez, exatamente igual, até à última humilhação, infinitas vezes,
quererias? Quem consegue dizer que sim já não precisa de outro mundo. Eu escrevi-lhe que
viverá eternamente sob a carga de ser ele mesmo.
Abril de 2026: Do amigo. É um capítulo do Zaratustra, de 1883, onde Nietzsche diz algo
incómodo: que no amigo tens de ter o teu melhor inimigo. Que a amizade a sério não é a que te
consola mas a que te exige. O meu poema pergunta se não se esconde um tirano em cada um.
É a mesma pergunta que ele faz ao leitor.
Nunca me sentei a escrever sobre Nietzsche. Só o andei a ler devagar durante ano e meio e os
poemas foram saindo atrás.
Cada peça leva um anel que se vai fechando. No último fecha por completo. Depois começa outra
vez.
Espanhol, inglês e português.
⚡ ₿ROCK CASTELLANOS
#nietzsche #poesia #filosofia #nostr #ElSalvador #literatura #eternoretorno






descobri que seguiam a mesma ordem em que Nietzsche publicou os seus livros, e ainda não sei
explicá-lo.
Novembro de 2024: prazer dionisíaco, realidade apolínea. É o seu primeiro livro, de 1872, onde
diz que a arte nasce da luta entre a forma e a embriaguez, e que é preciso perder o controlo
para que valha a pena ter figura.
Março de 2025: humano, excessivamente humano. É o título de 1878, onde deixa de perguntar se
algo é verdade e começa a perguntar de onde vem. Que aquilo a que chamamos moral costuma ter uma origem bem menos nobre do que lhe atribuímos. O meu poema acaba a aprovar a nova ordem
social com uma salva de palmas. É a mesma suspeita.
Outubro de 2025: dois poemas no mesmo dia sobre o eterno retorno. Essa ideia é de 1882 e não é uma teoria do universo, embora quase sempre a contem assim. É uma pergunta: se tivesses de
viver esta vida outra vez, exatamente igual, até à última humilhação, infinitas vezes,
quererias? Quem consegue dizer que sim já não precisa de outro mundo. Eu escrevi-lhe que
viverá eternamente sob a carga de ser ele mesmo.
Abril de 2026: Do amigo. É um capítulo do Zaratustra, de 1883, onde Nietzsche diz algo
incómodo: que no amigo tens de ter o teu melhor inimigo. Que a amizade a sério não é a que te
consola mas a que te exige. O meu poema pergunta se não se esconde um tirano em cada um.
É a mesma pergunta que ele faz ao leitor.
Nunca me sentei a escrever sobre Nietzsche. Só o andei a ler devagar durante ano e meio e os
poemas foram saindo atrás.
Cada peça leva um anel que se vai fechando. No último fecha por completo. Depois começa outra
vez.
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