Damus
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nostrich
Você acorda, abre os portais e se depara com três notícias:

1. Em 90 dias, o Google vai aplicar restrições a APKs de desenvolvedores não registrados.
2. Sony anuncia o fim das mídias físicas.
3. PL 4675/2025, mais uma lei de regulamentação das redes sociais, está em tramitação.

Você fecha o site com aquele sentimento de que as notícias andam em loop. E sabe o pior? Se você começa a pensar a fundo e volta alguns anos no tempo, percebe que esse déjà-vu realmente faz sentido...

Todo ano o Google testa seus usuários para manter o controle e a soberania sobre o Android. Em 2017, foi lançado o SafetyNet Attestation, que punia quem usava Custom ROM ou root no sistema. Em 2022, veio a evolução dele, o Play Integrity, que intensificou ainda mais essas validações de integridade do dispositivo, do sistema operacional e dos aplicativos. Em 2024, a Xiaomi avisou sobre a remoção do desbloqueio do bootloader; mais tarde, foi acompanhada pela Samsung, Realme, Oppo, Vivo e Huawei, que hoje já possuem aparelhos com o bootloader permanentemente travado. Inclusive, ouvi o relato de um amigo que, ao atualizar o Android de um Galaxy Tab S8, perdeu totalmente a opção de desbloqueio. Agora, em 2026, o Google anuncia que o Android AOSP (o código de fonte aberta do projeto) vai ser atualizado em intervalos maiores. Por fim, a cereja do bolo é toda essa questão da caça aos APKs de desenvolvedores não registrados.

A Sony, em 2009, já nos presenteava com uma versão do PSP somente digital, o PSP Go. Na época, isso gerou controvérsias, mas nada gritante, até porque era apenas um modelo entre vários e o PSP era uma linha secundária. Os problemas começaram para valer na geração do PS4, onde praticamente todos os jogos necessitavam de um patch de Dia 1, fazendo com que a cópia no Blu-ray físico viesse incompleta. O Nintendo Switch veio logo depois com vários jogos cujo cartucho servia apenas como uma "chave de acesso" para baixar o jogo real. No PS5, tivemos uma versão do console puramente digital, e as mídias físicas viraram quase que um disfarce para permitir o download. Agora, o último prego no caixão é a confirmação do fim das mídias físicas. E pensar que veio da mesma empresa que crucificou a Microsoft no passado por exigir um console sempre online, chegando a criar um vídeo ironizando como se emprestava um disco físico para outra pessoa.

Por fim, o governo. Em 2011, o mundo todo parou para discutir o _SOPA/PIPA Act_ que, por mais que fosse uma lei americana, causaria danos globais por conta de direitos autorais em todas as plataformas. Embora não tratasse diretamente de liberdade de expressão, foi a primeira grande lei que, se aprovada, forçaria as redes sociais a endurecerem o controle sobre seus usuários. Em 2014, foi sancionado aqui no Brasil o Marco Civil da Internet que, em seus pontos mais polêmicos, obrigava plataformas e provedores a salvarem o histórico dos usuários por até um ano. Em 2019, o Inquérito das Fake News foi iniciado, e o Judiciário passou a usar seu poder para "moderar" as redes. Desde então, só se fala em regulação. Para aqueles que achavam que, após a aprovação da Lei Felca, as coisas dariam uma trégua, não rolou: já temos de novo no Congresso a tramitação de novas leis de regulamentação das redes.

Bem, este post em si é só mais um desabafo no Nostr de alguém assistindo, mais uma vez, a tudo caminhando para a mesma porra de sempre... E percebi que, nesses últimos dois posts, estou perdendo a vontade de fazer as coisas por conta de todo esse pessimismo sobre o amanhã, aquele possível mundo onde "não teremos nada e seremos felizes". O negócio é focar em viver no modo "apesar de". Ou seja: apesar de tudo estar indo para o caralho, o que importa é viver o dia de hoje. Não vale a pena ficar bitolado com o amanhã, até porque o amanhã, aparentemente, vai ser exatamente igual ao ontem.