A invasão das câmeras chinesas baratinhas, geralmente compradas em marketplaces chineses como AliExpress e Shopee, me assusta. Câmeras sem marca, sem termos de privacidade claros, com softwares e aplicativos questionáveis. Tudo ligado à internet, e todos fingindo que não existe um servidor obscuro que permite que aquela câmera te mande os dados do streaming fora da rede local...
Uma invasão silenciosa; tem pessoa que as coloca até do lado de dentro de suas residências.
Eu entendo que, para muitos, o preço da privacidade é baixo em comparação à sensação de segurança que é ter uma câmera.
Isso sem comentar que nada garante que elas não estejam sendo usadas como espiãs de rede também.
Como podem ver, revivi minha conta aqui no Nostr. Cara, eu senti falta de ter um lugar para escrever e da vontade de escrever também. Os lugares legais que tinham conteúdo massa estão, um a um, morrendo.
Eu vi que, aqui no Nostr, um monte de gente que eu seguia parou, e isso é meio triste, mas ainda tem um pessoal. Para quem quiser seguir e acompanhar, vou falar de coisas do meu dia, tecnologia e outras coisas que vierem na minha cabeça.
Mais um post de alguém cagando regra e tirando argumento daquele lugar... Mas, ao mesmo tempo, um post de um cara que, no tédio, acompanha o movimento das coisas. E, nesse caso, sobre o futuro do open source. Mas não de qualquer open source, e sim do open source em que nos escoramos no dia a dia: o open source invisível, mas tão importante que, se morrer, a gente entra em um grande retrocesso.
Projetos como zlib, glib, GCC, FFmpeg, o kernel Linux, HarfBuzz, Opus, OpenSSL e uma porrada de outras libs e programas open source que constroem nossos computadores, nossos celulares e os servidores dos serviços que usamos.
E não é como se o open source tivesse acabado. Ainda há bastante gente contribuindo, mas a maioria está focada em projetos hype: a nova lib de JavaScript, o novo framework de IA em Python. A cada dia dependemos mais dessas libs e programas-base e, ao mesmo tempo, damos cada vez menos atenção a eles.
Hoje em dia, a maioria desses projetos essenciais está sendo mantida por programadores que contribuem há décadas. Programadores que, graças às suas árduas horas de trabalho e ao pouco reconhecimento, mantêm verdadeiros titãs da computação. Se hoje você pode acessar o Nostr, ou qualquer outra rede social, usar LLMs cada vez maiores e fazer um monte de outras coisas, é porque esses projetos existem.
Enquanto eu lia um artigo sobre Dennis Ritchie, criador da linguagem que hoje é a base absoluta da computação moderna, havia um comentário triste dizendo que, quando esse grande homem morreu, poucos noticiaram e poucos deram atenção (ele morreu pouco depois de Steve Jobs). No fim das contas, Dennis Ritchie, apesar de ter criado a linguagem C — que move nosso mundo há mais de 50 anos, que impulsionou produtos lendários lançados pela Apple e pela Microsoft e que roda em praticamente todos os celulares e computadores — virou uma nota de rodapé.
Da mesma forma, a gente não dá valor aos desenvolvedores que não são famosos, que não têm presença em redes sociais, mas que há décadas mantêm as libs e programas que usamos todos os dias. Muitos desses programadores recebem quase nenhum apoio e estão sendo esquecidos, assim como a importância dos projetos que eles mantêm.
Este post é uma forma de chamar atenção (mesmo que seja de apenas cinco pessoas) para o fato de que essas libs e esses programas existem, que esses desenvolvedores existem e que precisamos dar apoio a eles — seja financeiro, com contribuições de código, divulgação ou qualquer outra forma de ajuda. Se amanhã esses projetos ruírem, o impacto para a nossa tecnologia será gigantesco.