Damus
Rafa Borges profile picture
Rafa Borges
@rafaborges
Não vejo sentido na cultura do extremo anonimato em algumas redes, tal como cá no #Nostr e no Xwitter. Acho válido o sujeito ter uma conta pessoal e uma anônima, mas essa ideia de ter apenas conta anônima e não ter contas pessoais, como um >dogma<, é um pouco estranha pois vai contra a ideia de 'rede social'.

Não é todo mundo que possui conta em uma rede social para criticar políticos, defender sistemas doutrinários, praticar apologética religiosa, debater, etc e etc. A rede social deveria ser vista mais como uma praça pública virtual, é o espaço que, além de ter manifestações de revolta contra governantes, também concentra a vida social da cidade. Enquanto as demais redes "sociais"/pós-sociais, centralizadas, surgiram como "praças" e se tornaram shoppings, que hoje possuem câmeras com reconhecimento facial, muros, grades e portões, com seguranças na entrada e que possuem donos capazes de expulsar clientes quando bem entenderem, o NOSTR e demais redes sociais descentralizadas são praças públicas em que os reparos e a preservação são praticados pela comunidade, sem necessidade de licitações milionárias, empreiteiras, decretos, etc e etc.

O ecossistema só crescerá se beneficiar a comunidade, então é inevitável: como confiar em um produto no marketplace do ecossistema se a venda for exercida por um anônimo? Como confiar 100% nas informações de jornalistas anônimos? Como procurar um serviço, como de mecânico, de reparo, etc., se todas as contas forem anônimas? Como buscar amizades e relacionamento na cidade (evitando recorrer às festinhas, boates e demais eventos sociais já pobres e rasos na modernidade) se todos forem anônimos? São dilemas que podem ser resolvidos >provisoriamente< com uma cultura de dualidade: uma conta pública para opiniões e uma conta privada para relações de amizade e convívio, porém nisso surge outro dilema —> o humano não opera dualmente dessa forma, essas relações entre público e privado são mais conexas e indissociáveis do que cremos ser.

É certo que o sistema de gorjeta por lightning (zaps), por exemplo, futuramente dificultará a imersão de novos usuários pois a tendência é dos governos banirem o BTC (tal como a China fez agora) para os Estados e o C.O. usufruírem do BTC na ilegalidade, com isso o NOSTR se torna marginal. Daqui um tempo ter uma conta pessoal não fará sentido, porém jogar o NOSTR para a condição de "rede política de resistência" é uma forma de combate ao NOSTR, e os governos já fazem isso — salvo engano foi um ministro de Uganda que tratou o NOSTR como uma ferramenta política em discurso, citou também o Bitchat.

Então daqui uns anos é bem provável que os devs passem a lidar com o dilema de manter o NOSTR como ferramenta antipolítica eficaz e de tornar o NOSTR mais "social" do que político, considerando que o "antipolítico" é uma forma de "político" pela ciência política.
4
Dhay 🏴‍☠️ · 3d
Há diferentes redes com diferentes propósitos. Mas, além do anonimato, é bom escapar também de algoritmos proprietários e mecanismos para gerar vício dessas redes mainstream, que distorcem nossa percepção. Acredito que o Nostr é útil principalmente porque serve como uma infraestrutura de...
ON · 3d
Não me lembro qual sociólogo falou isso, mas disse que o Brasileiro comum não sabe identificar (e interagir) muito bem com as esferas da vida privada e pública. Onde ele trata os amigos, familiares não de se sangue e etc. Como vida privada. Também tratando elementos da vida privada como vida p...