Damus
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Os portugueses ainda se questionam, como é possível as casas estarem tão caras?

Este vídeo explica uma parte do problema, é assim que as bolhas nascem.



Vamos partir do pressuposto, que é tudo verdade o que esta senhora diz, aconteceu na realidade.

Casos tão graves como este, poderão não existir muitos, mas certamente existirá imensos casos não tão graves. Existem muitas pessoas que estão altamente alavancadas. Se o mercado corrigir não sei se vão conseguir suportar.

Existem 2 reflexões que podemos retirar deste vídeo:
Primeiro, como é tão fácil pedir créditos para comprar casa e ter altas alavancagens, os bancos estão a facilitar demasiado, isto só é possível devido ao sistema FIAT. Onde existe um conluio entre os bancos e os governos, sempre que dá problema, os governos salvam, socializam os prejuízos, os incentivos estão completamente errados.
Segundo, o orgulho da senhora, com um olhar de superioridade, a mostrar-se como é muito inteligente. Mostrando como isto fosse uma solução ou um grande negócio.
Isto é tudo muito bonito enquanto a economia cresce, o problema é quando esta inverter, aí sim, vamos descobrir que anda a nadar sem roupa.


Se a bolha do imobiliário vai rebentar em Portugal?
Sinceramente, pelo que tenho visto, eu acho pouco provável.

Portugal está com os dois problemas em simultâneo, houve um enorme aumento na procura/demanda e a oferta de novas casas diminuiu.

Esta crise habitacional, já acontece há vários anos, já se percebeu que não existe vontade político para resolver o problema, a construção de novas aumentou ligeiramente, mas ainda é muitíssimo inferior aos números da primeira década.



Os especialistas calculam que Portugal necessitaria aproximadamente 100.000 casas por ano, estamos a construir 30.000 casas. A este ritmo não haverá um equilíbrio entre a procura e a oferta.

Os políticos, além de não tomarem medidas para incentivar o aumento da oferta, vão continuar a inflacionar fortemente a moeda, provocando ainda mais procura/demanda por casas como uma reserva de valor e como o dinheiro perde valor, logo o valor absoluto das casas aumenta.

Por motivações políticas nunca vamos resolver o problema da habitação através do aumento de nova construção, mas a oferta poderia aumentar a oferta através da colocação no mercado, de casas já construídas. Só que aqui, temos outro problema, existem muitas casas vazias, mas estão quase todas no interior, em zonas não urbanas. Onde existem casas vazias mas não existem interessados em viver lá. E como a maioria das políticas públicas só olham para os grandes centros urbanos, ignoram por completo o mundo rural, não existe desenvolvimento, nem emprego nesses locais, os jovens não querem viver lá.

O que, também, poderia aumentar o número de casas nos centros urbanos, seria a perda de habitantes. No passado já aconteceu, em períodos de recessão, onde existe um êxodo dos estrangeiros, com a crise e natural aumento do desemprego, muitos voltam para os seus países de origem ou então vão para outros países, à procura de novas oportunidades. Só que desta vez, eu acho que será diferente, em caso de recessão, o êxodo dos estrangeiros será muito menor, houve uma enorme mudança no perfil de estrangeiros a viver em Portugal.
Uma parte grande destes imigrantes, não estão cá exclusivamente por motivos económicos, temos muitos cidadãos europeus ou de outros países “ricos” que mudaram para Portugal para usufruir das suas pensões. Temos o grupo dos ricos que tem uma segunda casa em Portugal e também temos um grande grupo de nómadas digitais, mas como o rendimento destas pessoas não têm origem na economia portuguesa, a crise não lhe afetará, pelo contrário, o custo de vida até poderá ficar mais barato. Não será por este motivo que eles vão sair das suas casas e abandonar o país.

Nos últimos anos, surgiram dois grandes grupos de imigrantes, os brasileiros e os de origem dos Indostão. O caso dos brasileiros é um caso muito especial, uma parte veio por motivos económicos, mas a maioria está cá por motivos de segurança, estavam exaustos da insegurança no Brasil. Eu conheço vários casos, muitos deles até confessam que financeiramente até estavam melhor no Brasil, mas viver em segurança nem tem preço, preferem viver assim em Portugal, só algo muito terrível fazia-os regressar ao Brasil, teria que ser uma recessão muito grave, superior à da Troika.

No caso dos cidadãos do Indostão, pessoas com origem na Índia, Paquistão, Nepal e Bangladesh, dificilmente vão sair de Portugal, mesmo com uma crise muito severa, estas pessoas conseguem ter uma melhor qualidade de vida em Portugal, do que no seu país de origem. Estes cidadãos só vão abandonar o país, caso consigam um visto para outros países ou então, quando conseguirem o passaporte português, depois vão para a Alemanha ou um qualquer país nórdico.


O problema da Habitação é tão grave, que não acredito que uma recessão provoque o “rebentar da bolha”, mas pode desinflar um pouco da bolha. Talvez uma crise superior à da troika, poderia provocar uma queda elevada de preços, mesmo assim tenho algumas dúvidas.
2❤️2☦️1
M-Vil · 1w
Em 30 anos metade do crédito é pago pela inflação.