Vivemos um tempo em que o senso crítico está sendo corroído de maneira silenciosa, mas profunda. Pessoas comuns, ao se prenderem a bolhas ideológicas, passam a enxergar tudo através de lentes distorcidas, onde qualquer gesto, opinião ou comportamento é automaticamente rotulado como “certo” ou “errado” dependendo de um lado político. Rir de uma piada, gostar de uma profissão, ter gostos pessoais, tomar café ou se comportar de maneira natural passou a ser interpretado como um manifesto político. Essa forma de pensamento não é política consciente: é alienação.
O problema é que esse fenômeno não acontece por acaso. Ele é cultivado por redes sociais, algoritmos que reforçam preconceitos, comentários enviesados e a repetição constante de estereótipos simplistas. O resultado é uma população que não dialoga, não questiona e não pondera. Ela deixa de enxergar pessoas como seres complexos e passa a enxergar apenas rótulos. A masculinidade, a sexualidade, os gostos e até atitudes cotidianas são reduzidos a selos ideológicos, criando um mundo onde qualquer desvio do “manual” inventado por sua bolha é imediatamente rejeitado, ridicularizado ou transformado em ataque político.
Essa alienação tem consequências reais. Ela destrói empatia, impede a reflexão crítica e transforma discussões legítimas em disputas infantis. O ser humano perde sua capacidade de compreender o contexto, diferenciar causa e efeito, e perceber a realidade além da narrativa fabricada. O que deveria ser diversidade de pensamento e diálogo passa a ser hostilidade e intolerância, e a sociedade como um todo sofre.
Este é um alerta: a polarização extrema e a incapacidade de pensar por si mesmo não são apenas opiniões divergentes; são sintomas de um mecanismo de doutrinação digital e cultural. Precisamos resgatar o pensamento crítico, a capacidade de observar sem julgar automaticamente e o respeito à complexidade humana. Rótulos simplistas e interpretações automáticas não podem substituir reflexão, estudo e empatia. Nossa liberdade de pensamento, nossa civilidade e nossa própria realidade estão em jogo.