Piada (de mau gosto).
O Estado quer que as distribuições de kernel Linux coletem a idade dos usuários e relatem aos aplicativos.
# A internet com verificação de idade preocupa desenvolvedores
Leis estaduais nos [Estados Unidos](
https://gizbr.uol.com.br/medicamento-brasileiro-para-doencas-de-pele-obtem-patente-nos-estados-unidos/) querem obrigar sistemas operacionais a coletar a idade dos usuários. A medida tenta proteger crianças online, mas desenvolvedores de Linux veem risco para privacidade, liberdade de uso e projetos de código aberto.
## O que muda para quem usa computador
De acordo com o _[The Verge](
https://www.theverge.com/tech/930573/age-verification-bills-linux-open-source)_, a nova disputa não envolve apenas redes sociais ou aplicativos. Ela chega ao sistema operacional, a camada que liga o usuário ao computador.
A proposta SB26-051, apresentada em janeiro no estado norte-americano de Colorado, queria exigir que sistemas operacionais coletassem a idade dos usuários. Depois, essas informações chegariam aos desenvolvedores de aplicativos.
Na prática, isso permitiria bloquear experiências consideradas inadequadas para [crianças](
https://gizbr.uol.com.br/criacao-rigorosa-regioes-cerebro-menores/). Também poderia limitar recursos do sistema, como acesso de administrador e interação com certos aplicativos.
Para grandes empresas, a adaptação parece possível. Para projetos pequenos, mantidos por equipes enxutas ou voluntários, a regra cria um problema caro e complexo.
## Por que o Linux entrou na discussão
Carl Richell, fundador e CEO da System76, percebeu que a lei poderia atingir sua empresa. A System76 fica em Denver e desenvolve o Pop!_OS, uma distribuição [Linux](
https://gizbr.uol.com.br/made-brazil-por-que-usar-o-linux-afinal-voces-responderam/).
Richell argumentou que o código aberto ensina computação porque permite estudar, modificar e reconstruir sistemas reais. Para ele, um mecanismo que restringe crianças nesse ambiente enfraquece esse aprendizado. “Todos deveriam ter acesso à capacidade de criar com um computador”, afirmou Richell.
A pressão funcionou. Em 1º de maio, o Colorado aprovou o projeto com uma exceção para sistemas operacionais de código aberto, como Linux.
## A Califórnia colocou prazo no debate
A preocupação cresceu depois que a Califórnia aprovou a AB 1043. A lei exige que sistemas operacionais e lojas de aplicativos coletem a idade dos usuários durante a configuração do dispositivo a partir de 1º de janeiro de 2027.
Porém, mesmo que um projeto Linux inclua verificação de idade, outra pessoa pode criar uma versão modificada e remover o recurso.
Esse é um ponto central do software livre. O usuário pode copiar, redistribuir e modificar o sistema. A lei tenta controlar uma arquitetura que nasceu para permitir alterações.
## Privacidade virou ponto de atrito
Defensores de privacidade criticam a coleta centralizada de idade. Michael Dolan, da Linux Foundation, reconhece a importância de proteger crianças online, mas vê falha no método.
“Mandatos de verificação de idade impostos a sistemas de código aberto criam novos riscos de privacidade, enquanto continuam fáceis de burlar”, disse Dolan. Para ele, isso representa “teatro de segurança”, sem melhora real na proteção infantil.
O debate também envolve Illinois, Nova York e outros estados. Em Nova York, o projeto S8102A quer exigir verificação de idade em qualquer desktop, notebook, smartphone, tablet ou dispositivo com acesso à internet.
## Desenvolvedores buscam saídas diferentes
A Canonical, responsável pelo Ubuntu, informou que analisa a legislação com aconselhamento jurídico. O Fedora discute soluções locais, com menor impacto na privacidade.
Outros projetos adotaram tom mais duro. O MidnightBSD disse que excluirá moradores da Califórnia do uso em desktops a partir de 2027. O Ageless Linux foi criado como protesto e troca o campo de data de nascimento por uma API que não retorna dados.
O caso também pode favorecer o Linux. A Zorin OS afirma que sua versão 18 teve quase 4 milhões de downloads desde outubro, com mais de 78% vindos de dispositivos Windows e macOS.
Se governos exigirem controles mais rígidos em sistemas comerciais, parte dos usuários pode procurar alternativas com mais controle local.
Ou seja, a disputa sobre idade, privacidade e código aberto ainda está começando.
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