Bitcoin e o Ajuste de Dificuldade
Todas as semanas o tema é diferente. O mais recente foi o caso dos mineradores de BTC estarem a focar as suas operações em AI, o que resulta em mais uma dose de teorias catastróficas.
“Aníbal, o preço da Bitcoin está a cair, cada vez mais investimento é canalizado para a Inteligência Artificial, e agora?”
Agora é só esperar 2016 blocos, ou duas semanas se quiserem medir as coisas em tempo real.
O Ajuste de Dificuldade é um dos elementos mais brilhantes do protocolo Bitcoin, o coração da segurança da rede e o “termóstato” que garante a estabilidade da emissão de moedas e incentivo para o investimento de energia.
Como funciona?
O objetivo passa por garantir que em média, um novo bloco de transações é minerado a cada 10 minutos. Como o poder de processamento global (conhecido como Hash Rate) flutua à medida que novos mineradores entram ou saem da rede, o tempo para a criação de cada bloco pode variar também.
O ajuste não acontece a cada bloco. A rede Bitcoin está programada para avaliar o próprio desempenho a cada 2016 blocos (as tais duas semanas aproximadamente), comparando o tempo que devia ter demorado (20160 minutos), com o que realmente demorou.
Se tiver sido mais rápido, significa que existe muito poder computacional a “minerar” e a dificuldade aumenta automaticamente. Por outro lado, se for mais lento porque existem menos mineradores (mudaram as operações para AI ou outra coisa qualquer), a dificuldade diminui.
Vantagens
Inflação controlada: Mesmo que Google, Microsoft e NASA usem todos os seus computadores para minerar, a rede simplesmente torna a tarefa tão difícil que a emissão continua a ser de um bloco a cada 10 minutos. Isto garante que o limite de 21 milhões de Bitcoin (2,1 mil biliões de satoshis para ser mais exato) é respeitado no tempo previsto.
Estabilidade: Se um grande número de mineradores desligar as máquinas por falta de lucro, a rede podia estagnar porque os blocos demorariam horas ou dias a serem processados. O ajuste de dificuldade garante que se o poder de processamento cair, a dificuldade cai, incentivando o regresso de mineradores e a entrada de novos participantes via incentivo económico.
Segurança: Minerar Bitcoin não é apenas "correr um programa", é converter eletricidade e hardware em segurança. À medida que a dificuldade sobe, o custo para um atacante tentar reverter transações (o famoso ataque de 51%) torna-se astronomicamente caro, porque teria de superar uma barreira de dificuldade que se ajusta ao poder real da rede.
Notas:
- Existe um limite de segurança para evitar mudanças bruscas, a dificuldade nunca pode aumentar ou diminuir mais do que 4 vezes num único período de ajuste.
- O editor pediu à inteligência artificial dois sinónimos e uma verificação numérica, tudo o resto saiu de uma extremamente falível massa cinzenta.
- Imagens são cortesia do Nano Banana 2.